Uma variedade de estudos científicos, desenvolvidos em diversas circunstâncias, apontam para uma melhoria dramática no controlo da glicose e dos lípidos ...

Uma variedade de estudos científicos, desenvolvidos em diversas circunstâncias, apontam para uma melhoria dramática no controlo da glicose e dos lípidos no sangue em diabéticos de tipo II que seguem uma alimentação low carb (1-5).

Quando estes estudos incluem um grupo de comparação, a seguir uma dieta baixa em gordura e rica em hidratos, o grupo da dieta low carb demonstrou consistentemente melhores resultados a nível dos efeitos no controlo da glicose no sangue, redução da medicação, lípidos no sangue e perda de peso. A perda de peso é particularmente importante uma vez que os objetivos de tratamento para pacientes com diabetes tipo II realçam sempre a perda de peso, se a pessoa tiver excesso de peso, no entanto os medicamentos utilizados para o tratamento da diabetes podem aumentar o risco de aumento de peso. Ao contrário da medicação, uma abordagem de alimentação low carb para diabetes tipo II pode melhorar o controlo dos níveis de açúcar no sangue e a perda de peso.

Ganho de peso enquanto efeito secundário

Na superfície, a gestão de diabetes de tipo II parece relativamente simples: levar os níveis de glicose no sangue de volta aos níveis normais. Mas a resistência à insulina é uma caraterística de diabetes tipo II; simplificando, o nível de glicose não “quer” descer. Isto significa que o organismo fica mesmo responsivo ao medicamente mais poderoso utilizado no tratamento: a insulina. Por isso a dose de insulina prescrita à maioria dos diabéticos de tipo II é, por vezes, muito elevada. Além disso, uma vez que a insulina não só guia a glicose para as células dos músculos como também acelera a síntese de gordura e o seu armazenamento, ganhar peso é normalmente um dos efeitos secundários de uma terapia de insulina agressiva (6). Outros medicamentos e injeções têm sido desenvolvidos para mitigar este efeito, mas em média, quanto mais se procura controlar os níveis de açúcar no sangue, maior a tendência para ganhar peso (7).

Hipoglicemia enquanto efeito secundário

O outro grande efeito secundário de tentar controlar rigorosamente o açúcar no sangue com medicação é acabar com valores abaixo do desejado, resultando em hipoglicemia, que causa fraqueza, tonturas e confusão. Se estes sintomas aparecerem, o conselho é o de ingerir muito açúcar imediatamente, o que começa a montanha-russa dos níveis de açúcar no sangue novamente. Interessantemente, assim que os diabéticos de tipo II trabalham com os seus médicos e ajustam a medicação, seguem o programa corretamente e completam as primeiras semanas do programa Atkins, raramente experienciam hipoglicemia.

Porque não simplesmente cortar nas calorias?

Então porque é que não chega simplesmente cortar as calorias sem cortar nos hidratos de carbono especificamente? É verdade que adotar uma dieta e perder peso tipicamente ajudam a controlar o diabetes. No entanto, a perda de peso geralmente não chega para reduzir significativamente a dose de medicação quando a ingestão de hidratos ainda é elevada. Uma vez que a medicação para diabetes produz efeitos secundários e estimula o apetite, perder peso numa dieta normal é um obstáculo difícil para um diabético de ultrapassar.

Assim que compreendes esta dificuldade na perda de peso durante o tratamento, é mais fácil apreciar as vantagens de utilizar a dieta Atkins para controlar diabetes de tipo II. Quando removes açúcares adicionados, reduzes significativamente o consumo de hidratos e restringes o seu consumo primariamente para “vegetais fundamentais”, a resistência à insulina melhora e o controlo dos níveis de açúcar no sangue também – geralmente de forma dramática. Adicionalmente, a maior parte das pessoas verifica que podem parar ou reduzir substancialmente a medicação para diabetes. (este processo deve ser sempre acompanhado de perto com um médico.) Consequentemente, o caminho para perda de peso significativa torna-se bastante mais fácil. Desde que te mantenhas dentro do teu intervalo de tolerância de hidratos, deves estar capacitado para navegar rumo a melhor saúde.

Referências

 

  1. Bistrian, B.R., Blackburn, G.L., Flatt, J.P., Sizer, J., Scrimshaw, N.S., Sherman, M., “Nitrogen Metabolism and Insulin Requirements in Obese Diabetic Adults on a Protein-Sparing Modified Fast,” Diabetes, 25, 1976, pages 494–504.
  2. Boden, G, Sargrad, K., Homko, C., Mozzoli, M., Stein, T.P., “Effect of a Low-Carbohydrate Diet on Appetite, Blood Glucose Levels, and Insulin Resistance in Obese Patients with Type 2 Diabetes,” Annals of Internal Medicine, 142, 2005, pages 403–411.
  3. Daly, M.E., Paisey, R., Millward, B.A., Eccles, C., Williams, K., et al., “Short-Term Effects of Severe Dietary Carbohydrate-Restriction Advice in Type 2 Diabetes—A Randomized Controlled Trial,” Diabetic Medicine, 23, 2006, pages 15–20.
  4. Westman, E.C., Yancy, W.S., Jr., Mavropoulos, J.C., Marquart, M., McDuffie, J.R.,“The Effect of a Low-Carbohydrate, Ketogenic Diet Versus a Low-Glycemic Index Diet on Glycemic Control in Type 2 Diabetes Mellitus,” Nutrition & Metabolism,5, 2008, page 36.
  5. Dashti, H.M., Al-Zaid, N.S., Mathew, T.C., Al-Mousawi, M., Talib, H., Asfar, S.K., et al., “Long Term Effects of Ketogenic Diet in Obese Subjects with High Cholesterol Level,” Molecular and Cellular Biochemistry, 286, 2006, pages 1–9.
  6. Daly, A., “Use of Insulin and Weight Gain: Optimizing Diabetes Nutrition Therapy,” Journal of the American Dietetic Association, 107, 2007, pages 1386–1393.
  7. Gerstein, H.C., Miller, M.E., Byington, R.P., Goff, Jr., D.C., Bigger, J.T., Buse, J.B., et al., “Effects of Intensive Glucose Lowering in Type 2 Diabetes,” The New England Journal of Medicine, 358, 2008, pages 2545–2559.

 

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Publicado por Linda O'Byrne
Atkins Nutritionist